Hábito ou obrigação? Arquiteto desmistifica necessidade de revestir todas as paredes do banheiro

Segundo Márcio Barreto, cobrir somente áreas com incidência de água garante economia de R$ 850 em material e mão de obra.

Cômodo pequeno e paredes revestidas com pisos brancos são duas características que mais remetem aos banheiros contemporâneos. As particularidades presentes nessa área da casa, no entanto, mudam constantemente, variando de acordo com a época e regionalidade. 
No Brasil das décadas de 70 e 80, os toaletes eram marcados por acabamentos em azulejos de tons extravagantes, podendo ser encontrado ainda em casas mais antigas. Por outro lado, a estética dos “novos banheiros”, fenômeno que surgiu após a “onda” dos azulejos, apresenta outro perfil, com espelhos cada vez maiores, boxe de vidro e sobretudo, revestimento com cores neutras, sendo o branco a cor predominante. 



Apesar da estética dos toaletes se transformarem com o tempo, o arquiteto baiano Márcio Barreto atenta para uma peculiaridade que persiste há anos na arquitetura brasileira: revestir todas as paredes do banheiro, sem exceção. Desmistificando essa ideia, o profissional explica que é essencial revestir apenas os trechos onde a água incide diretamente, como pisos e paredes dentro da área do box (chuveiro).
Na região externa ao box ou cortina, podemos revestir apenas o chão e fazer um rodapé para proteger a parede no momento da limpeza. Quanto ao restante das paredes, podemos utilizar tintas laváveis e mais resistentes à umidade”, sugere. 
Segundo o arquiteto, o hábito de revestir todo o toalete é desnecessário, além de custoso. Onerando o custo dos consumidores, Márcio traz o exemplo do seu último projeto, um banheiro padrão de 4 m². Após os cálculos, o profissional relata que não revestir as paredes externas ao ‘box’ gerou uma economia de R$ 850 em material e mão de obra para o cliente.
Com o preço médio de reformas dos banheiros avaliado entre R$ 6 a R$ 8 mil, segundo estimativas, Márcio explica que o valor economizado ajuda a erguer uma estrutura mais acessível, entregando também um conceito moderno e diferente nas residências. Em outras culturas, o arquiteto revela que já é comum observar revestimentos apenas em áreas essenciais. 

Para ilustrar, Márcio traz a área da “cozinha”, revestindo apenas sobre a bancada da pia e próximo ao fogão, devido ao vapor e gordura produzidos no ato de cozinhar. O arquiteto elucida que o costume de revestir vem da limpeza baseada na drenagem de água, enquanto outros países são mais adeptos ao uso de produtos químicos. 
Hoje em dia existem inúmeras soluções para fugir dessa característica. As construtoras entregam os banheiros e cozinha em sua maioria revestidos com branco, por ser algo genérico e que agradará muitas pessoas, mas é possível personalizar o espaço, até mesmo sem precisar retirar todo o revestimento. Mudar o revestimento em uma das paredes dentro do box, ou mesmo uma bancada em granito com mais destaque, já mudará o aspecto ‘sem vida’ comum a essas áreas”, conclui. 
Para mais dicas sobre decoração, acesse o site arquiteturadobarreto.com, ou a página do Instagram @arquiteturadobarreto.
Página anterior Próxima página
publicidade