Como fica o mercado da moda pós-pandemia?

por Juci Ribeiro

Estilista Lourani Maria destaca como consumidores do futuro devem equilibrar o desejo de voltar às compras ao consumo responsável.

As estimativas sobre o mercado da moda eram positivas. Segundo dados publicados no Portal Fiesp — Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, o setor da moda deveria crescer cerca de 3,1% ao ano até 2021, entretanto, a pandemia do novo coronavírus (COVID-19) mudou esse cenário de ponta à cabeça.
Com a crise se alastrando no território brasileiro, medidas restritivas como o fechamento dos comércios e cancelamento de eventos levaram a uma queda de 74% no faturamento do setor de moda, conforme dados levantados pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE). Completando três meses de pandemia no próxima dia 11 de junho, as previsões para a indústria da moda se restabelecer ainda estão sendo avaliadas.

Analisando o mercado da moda na pós-pandemia, a estilista Lourani Maria não acredita que o setor irá entrar em retração completa. Segundo a profissional, uma retomada que já é vista através das compras online será somada ao desejo do consumidor de “volta às compras”, após passado os tempos de restrições sociais. 
Eu acredito que nós entraremos no período do ‘eu mereço’ quando a pandemia chegar ao fim. Isso significa que os consumidores, após passar por medos, sofrimento e todas as consequências que trouxe o coronavírus, irão voltar às compras com a ideia de merecimento por enfrentar tantas dificuldades, impulsionando as vendas do setor. Além disso, muitas pessoas entendem que a motivação para comprar um artigo de moda não é pelo produto em si, mas por uma peculiaridade afetiva, onde elas transformam o objeto em algo que irá embalar suas emoções e que fará parte da sua rotina, dando ‘vida’ a essas mercadorias”, explica. 

De acordo com Lourani, o consumo de artigos da moda não será mais desenfreado como na pré-pandemia. Para a estilista, o desejo dos consumidores entrará em equilíbrio com o consumo responsável e afetivo, que procura saber desde a confecção dos materiais, higienizaçãosegurança e engajamento da marca em ações e projetos sociais, tendo em vista as consequências ainda presentes da COVID-19 na sociedade.
Lourani explica que o setor da moda teve seu pico de queda já nas primeiras semanas da pandemia, obtendo graves consequências nos calendários nacionais e internacionais, com o adiamento de lançamentos e fashion weeks, demissão de funcionários nas lojas e suspensão de eventos menores. 

A profissional alerta que a demora da reinvenção no setor — devido em parte pelo fator surpresa da pandemia — tem consequências como a recuperação lenta na indústria. Entretanto, Lourani orienta profissionais de moda a se adaptarem ao novo padrão de consumo responsável dos clientes, sendo essencial para reinventar o mercado e trazer expectativas cada vez mais crescentes de retomada nas vendas. 
Na pós-pandemia, a tendência mais importante da moda é agregar valor ao seu produto, satisfazendo além do desejo dos consumidores. Esse novo padrão de consumo, agora mais responsável, também irá reforçar o laço afetivo com as mercadorias, levando lembranças e expectativas para uma nova vida”, conclui. 

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