Pele Negra, Máscaras Brancas no Espaço Cultural da Barroquinha

por Juci Ribeiro


Pele Negra, Máscaras Brancas de 05 a 22 de setembro no Espaço Cultural da Barroquinha


Espetáculo já foi visto por cerca de 6 mil pessoas e lotou duas sessões do Domingo no TCA

Sucesso de público, o espetáculo Pele Negra, Máscaras Brancas – com todas sessões lotadas, tanto na primeira temporada no Teatro Martim Gonçalves quanto nas duas sessões do Domingo no TCA – volta a cartaz de 05 a 22 de setembro, às 19h, no Espaço Cultural da Barroquinha.

A montagem, que tem dramaturgia de Aldri Anunciação, é a primeira da Cia de Teatro da Universidade Federal da Bahia encenada por uma diretora negra, Onisajé (Fernanda Júlia). Os ingressos estão com preços promocionais até dia 31 de agosto, com valores de R$20inteira e R$10 meia. 

Com produção da DA GENTE Produções, Pele Negra, Máscaras Brancas é baseado em tese homônima de Frantz Fanon e tem referências de “Os Condenados da Terra”, outra obra do autor. O primeiro livro apresenta a ferida da subjetividade negra; o segundo traz uma proposta de ação sobre essa subjetividade falhada ou estragada do negro pela colonialidade.

A montagem da Cia de Teatro da UFBA é uma obra de ficção que se vale de quase todas teorias e ainda traz personagens analisadas pelo psiquiatra e filósofo. O dramaturgo define que a obra é distópica ao perpassar três períodos – 1950, 2019 e 2888. Presente, passado e futuro para falar sobre como o processo de colonização construiu sofrimentos psicológicos em corpos negros.

A montagem traz o próprio Frantz Fanon como personagem no ano de 2019 defendendo novamente sua tese de doutorado, rejeitada pela banca examinadora no ano de 1950 – Pele Negra, Máscaras Brancas, obra que atualmente é referência mundial para discussão sobre o racismo. Dois artistas interpretam esta personagem, Victor Edvani – ator preto e cisgênero – e Matheuzza Xavier – atriz, transgênera e preta.

Além do próprio Fanon, a obra traz uma família formada por seis personagens-tese que vivem em 2888. Nesse tempo-espaço, essas personagens desenvolvem as perspectivas ocidentalizadas de futuro para o negro e acabam sendo enclausuradas em uma casa devido a personagem Taiwo, filha do casal que foi infectada pela “náusea do desejo de saber-ser” e, com isso, ultrapassou os limites impostos pelo “Regime Único Mundial”.

Assim como Taiwo outras personagens da sua família já tinham sido infectadas em outros momentos pela “náusea do desejo de saber-ser” e invadiram a velha biblioteca que possui informações a respeito do processo africano pré-colonial. Manter esses livros/informações distante do povo negro, que foi colonizado e vem tendo sua memória escondida e apagada, é uma forma de controle sob os seus corpos.

Cores e vozes
Os corpos dos atores, que passaram por todo um processo de pesquisa – acadêmica, corporal e voz, são por si discursos e lugares de fala. Ao perceber esta potência, o diretor musical Luciano Salvador Bahia definiu em conjunto com Onisajé colocá-los constantemente como fontes sonoras, transformando-as em coro.

“Construímos uma trilha com cara de ‘ficção científica’, em que misturamos atmosferas eletrônicas-futuristas com percussão afro-brasileira”, reforça Bahia, que contou com a preparação vocal de Joana Boccanera, que trabalhou os corpos dos atores para uma boa projeção, dicção e canto.

Nesse brincar de elementos futuristas para falar sobre a tomada de consciência da negritude a partir do passado, a visualidade – cenário, figurino e maquiagem - criada por Thiago Romero e Tina Melo reforça a discussão trazida na peça, com desenhos que misturam conceitos de afrofuturismo e alta-costura, que se desdobram e mudam de cor, num diálogo com a luz criada por Nando Zâmbia.

Com codireção de Licko Turle, professor visitante da UNIRIO, a encenação traz um elenco totalmente negro formado por dez atuantes: Iago Gonçalves, Igor Nascimento, Juliette Nascimento, Manu Moraes, Matheus Cardoso, Matheuzza Xavier, Rafaella Tuxá, Thallia Figueiredo, Victor Edvani e Wellington Lima. A coreógrafa Edileusa dos Santos é a responsável pela direção de movimento e preparação corporal.

Ao trazer uma equipe formado por artistas pretos e pretas, Pele Negra, Máscaras Brancas torna-se um projeto politico-racial ao ampliar às narrativas da Cia de Teatro da UFBA. O espetáculo é uma conquista da segunda edição do Fórum Negro de Arte e Cultura - FNAC, em 2018, realizado pela Escola de Teatro e Pró-Reitoria de Extensão da UFBA.

Serviço

O quê: Pele Negra, Máscaras Brancas
Quando: 05 a 22 de setembro – quinta a domingo, às 19h
Onde: Espaço Cultural da Barroquinha 
Quanto: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia) – preço promocional até 31 de agosto 
* Vendas antecipadas Online no site www.sympla.com/dagenteproducoes


Foto Adeloyá Magnoni




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