Doença de filha de apresentadora Adriana Araújo pode levar à perda de dedos dos pés



Reprodução/Facebook
A hemimelia fibular, síndrome da qual Giovanna, 18 anos, filha da apresentadora Adriana Araújo, da TV Record, é portadora desde o nascimento, ocorre em função de uma má formação congênita da fíbula, o osso lateral mais fino da perna. O outro osso, mais grosso, é a tíbia. Em casos mais graves pode até levar à amputação, segundo especialistas entrevistados pelo R7.
Essa alteração causa em muitas ocasiões a perda de dedos dos pés. E não é relativa a membros superiores. O ortopedista Fellipe Savioli, do Hospital Santa Catarina, em São Paulo, ressalta que há muitas variações na maneira com que essa síndrome se apresenta.
— Existem vários tipos para essa síndrome, ela pode ser completa, quando há falta de um membro, ou pode ser parcial. Há casos em que o paciente pode aparentar um aspecto normal para o membro e há outros em que a deformidade é grave.
Segundo outro especialista, o ortopedista pediátrico Maurício Pegoraro, do Hospital Albert Einstein, atualmente o exame de ultrassom tem todas as condições de detectar a síndrome durante a gestação. E os tipos de tratamento, segundo ele, são muitos.
— O tratamento que a gente mais vê hoje é, dependendo da condição do pé, o que é feito para corrigir a deformidade do pé e alongar a perna. Para isso são utilizados fixadores externos, em que há distratores que vão alongando a perna da criança.
A hemimelia fibular é uma doença rara. Savioli destaca que, em estudos no Canadá, chegou-se à estatística de que ela atinge entre 8 e 20 pessoas em um universo de um milhão de crianças que nascem.
As causas dessa hemimelia podem vir de fatores genéticos, de problemas de irrigação do feto em relação ao osso ou, em casos mais graves, devido a alguma amputação intrauterina, decorrente de infecção, ou algo similar, conforme afirmou Savioli.
Para Pegoraro, as técnicas e os recursos atuais possibilitam muitas opções de recuperação que fazem com que os médicos tenham muito mais condições de preservar o membro para que uma amputação seja evitada.
— Até existem diagnósticos (de amputação). É que hoje, com tudo que há de tecnologia, equipamentos cirúrgicos, medicamentos para controle da dor, fixadores externos que fazem o alongamento, preserva-se muito mais membros do que se preservava no passado. 
Saviolli ressalta ainda que a deformidade mais comum é com os joelhos em X, um tocando o outro, e o tratamento pode variar de acordo com o caso.
— Varia do alongamento ósseo, em que há opções muito positivas hoje, mas dependendo da gravidade pode ser necessária até a amputação para ter uma boa qualidade de vida.
Ele explica que, em casos mais extremos, a diferença entre o comprimento das pernas é muito grande, de 10 cm a 12 cm, por exemplo.
— São casos em que o pé está quase próximo do joelho, é algo grave e nestes casos não se consegue um bom resultado porque é preciso fazer um alongamento muito grande. Cada caso é um caso. Há um limite, não é que você consegue o alongamento que você quer. 
Savioli afirma que a amputação é uma prática mais comum nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos por causa de questões culturais e de acessibilidade à população com próteses.
— O primeiro ponto é a questão cultural. Os Estados Unidos, por exemplo, são formados por um povo que já passou por guerras mundiais, do Vietnã, etc, em que há uma população muito grande de amputados. É algo muito comum. No Brasil é muito complicado, o paciente chegar ao consultório e você falar que tem de amputar, tem de conversar muito e explicar muito o caso antes. O segundo ponto é a acessibilidade. Aqui o paciente sabe que vai sofrer, para pegar transporte público, para ir a um banco ou ao cinema. Em países desenvolvidos o paciente sabe que vai ter uma vida normal. 


 Inst @jucirribeiro

FonteR7
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