Documentário “Aldeia do Cachimbo” estreia no Dia do Indígena

por Juci Ribeiro

Cacique da Aldeia do Cachimbo, Capilé Imboré
Curta-metragem apresenta a realidade atual de uma aldeia na Bahia, provoca reflexão sobre identidade, ancestralidade, espiritualidade e ecologia

O documentário “Aldeia do Cachimbo” revela os indígenas narrando a reconquista de seu território e partilhando o prazer da vitória, que é viver hoje juntos em uma mesma aldeia. O filme foi realizado em processo de cocriação, entre vários indígenas e três não indígenas que vivenciaram 15 dias na aldeia.
O lançamento do filme será no “Dia do Índio” – 19 de abril (domingo), quando os próprios indígenas da aldeia realizarão várias interações digitais (lives) na aldeia, através do Facebook e Instagram dos próprios indígenas da aldeia entrelaçados por arranjos digitais apoiados pelo canal “MENSAGENS DA TERRA” no YouTube, canal esse que deixará disponível ao público o documentário e facilitará pontes digitais de diálogo entre os indígenas e o mundo fora da aldeia.
O documentário, que tem quase 15 minutos, foi produzido em janeiro de 2020 na “Aldeia do Cachimbo”, aldeia que abriga indígenas majoritariamente da etnia Imboré, aldeia localizada no município de Ribeirão do Largo, e próxima a cidade de Itambé – BA. O território da aldeia esteve, por aproximadamente um século, nas mãos de posseiros que invisibilizaram os indígenas que só vieram retomar suas terras em janeiro de 2017; o documentário explica, entre muitas coisas, essa história.
Para realizá-lo, a equipe foi composta por quase 20 indígenas, alguns deles Imboré, outros Tupinambá, outros Pataxó e três artistas convidados não indígenas: Sebastian Gerlic (Direção e Câmera); Ângelo Rosário (Fotografia e Câmera) e Gabriel Moreira (Som Direto e Edição); a direção geral do projeto que promoveu a filmagem e suas ações de divulgação está encabeçada pela artista realizadora indígena Îã Gwarini Tupinambá e seu produtor Luis Gonzaga dos Santos. Îã Gwarini é indígena e militante do movimento indígena e do movimento feminista. Desde jovem vem se destacando por ter-se apropriado bem de expressão oral, escrita, fotográfica, audiovisual e digital.

O filme foi viabilizado por meio do Edital Setorial de Audiovisual 2019, com apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Fundação Cultural do Estado da Bahia e Secretaria de Cultura da Bahia.  
O cacique da Aldeia do Cachimbo, Capilé Imboré, que além de ser um dos realizadores é também um dos entrevistados do filme, destaca a importância que a aldeia tem para o seu povo e sobre a necessidade de preservação urgente do meio ambiente. “Ficamos tristes por retomar a nossa terra desmatada e com os rios secando. Vamos levar um tempo para recuperar as matas e rios, pois o homem está destruído a ele próprio quando destrói a terra, temos que ter consciência e preservar a natureza, pois juntos formamos uma nação, a ganância do homem esta destruindo o próprio homem. Precisamos da floresta para tirar o nosso sustento, remédio e artesanato, por isso é preciso preservar para manter a nossa aldeia que é a nossa vida. A união entre os povos é que faz a força para sarar a nossa terra que está doente e precisa ser cuidada”.
Esposa do cacique, liderança na Aldeia do Cachimbo e realizadora do filme, Mangtxay Imboré, revela que “o filme ajudou no resgate do nosso antepassado e ancestralidade, compartilhando a nossa cultura indígena para o mundo. O reconhecimento do nosso território também foi uma etapa importante para cultivar os nossos antepassados. Por meio da força da nossa espiritualidade conversamos com a mãe terra e hoje nós convivemos com os ancestrais em nossa fé. Esse momento é muito importante para dar continuidade àquilo que os nossos antepassados resgataram como memória e preservar a mãe terra ainda mais”.
Para Sebastian Gerlic, convidado por Îã Gwarini para contribuir na direção do filme, “Aldeia do Cachimbo é protagonizado e realizado pelos Imboré, o meu desafio e dos outros convidados não indígenas, foi contribuir na construção de uma obra para o amplo público, uma mensagem compreensível inclusive para aquelas pessoas que nunca antes visitaram uma comunidade indígena, leram um livro ou assistiram um filme de protagonismo indígena. Para mim os Imboré, coma  realização deste filme, conquistaram mais uma vitória, fizeram um filme que mostra a alma deles, suas dores e principalmente sua fé e otimismo. É um filme que mostra as diferentes gerações vivas e reaviva relatos que gerações anteriores deixaram de herança, valoriza a memória viva; é um convite amoroso para os brasileiros refletirem sobre sua história e sua identidade”.
Îã Gwarini Tupinambá, Capilé e Mangtxay Imboré concordam que este projeto estimula a formação dos indígenas para a apropriação das tecnologias de comunicação, com o objetivo de fazer pesquisa e difusão de sua própria cultura. Estimula a comunidade Imboré a fortalecer seus laços cooperativos e empreender uma iniciativa os representa e que faz circular suas expressões, fazendo assim com que diminuam os preconceitos e aumentem as possibilidades de participar mais ativamente na vida política do Estado, elevando a qualidade de vida dos participantes.
O projeto inicial previa encontros presenciais para o lançamento do documentário, mas no contexto atual do coronavírus as ações de divulgação foram redesenhadas para o mundo digital. O filme propõe diálogo entre jovens e adultos de instituições de ensino formais e informais, brasileiras e internacionais, os realizadores e os indígenas. A campanha de lançamento propõe transcender o isolamento histórico e agora conjuntural, para que, com auxilio das novas tecnologias, indígenas e não indígenas possam aprender uns com outros e que dessa potente alquimia Brasil e o Planeta possam se beneficiar.


Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA) – Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Cultural e Editais Setoriais. Para mais informações, acesse: www.cultura.ba.gov.br




SERVIÇO

Lançamento do documentário “Aldeia do Cachimbo”
Quando: 19 de abril – Lançamento do documentário no YouTube e lives no Instagram e Facebook @mensagensdaterra
Horário: 6h
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