Virada Sustentável aposta em projetos culturais e de transformação

por Juci Ribeiro

Os mais de 100 projetos mapeados atuam com arte-educação, mobilidade, acesso à cultura e ao esporte, entre outros temas ligados ao desenvolvimento sustentável

Salvador irá sediar o maior festival de cultura, mobilização e educação para a sustentabilidade da América Latina: a Virada Sustentável. De 29 de novembro a 02 de dezembro, a capital baiana será palco de uma programação plural e diversificada, ocupando os espaços públicos e inteiramente gratuita. O lançamento oficial da programação será na próxima segunda-feira (12), das 10h às 12h30, no Centro Cultural da Barroquinha, com a participação de representantes de mais de 15 projetos que irão integrar o evento.

Mais de 100 projetos de coletivos baianos, artistas, oficineiros, escolas, universidades, ONGs, inciativa pública e privada foram mapeados para compor a programação. De palestras, debates e vivências a atividades educativas, ambientais e artísticas, com direito a dois dias de shows, reunindo seis bandas. Os eventos e atividades irão acontecer em diversos pontos da cidade, do Centro Histórico ao Subúrbio, de Itapuã a Cajazeiras, da Cidade Baixa ao Parque da Cidade.

Fundamentado nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, a Virada em Salvador aposta em atividades e ações que congreguem, principalmente, sete ODS: Educação de Qualidade, Igualdade de Gênero, Redução das Desigualdades, Cidades e comunidades sustentáveis, Consumo e produção responsáveis, Vida na água e Vida sobre a Terra. “Os ODS funcionam de uma forma transversal, então priorizamos projetos que atendam ao máximo de ODS e também a sociedade de uma maneira mais ampla, criando um grande movimento de vivenciar a cidade e propor, coletivamente, uma visão positiva e inspiradora sobre a sustentabilidade”, destacou a coordenadora nacional da Virada Sustentável, Vivian Schaeffer, que estará em Salvador para participar da coletiva de lançamento da programação.

Conexões mapeadas
Mobilidade como forma de inclusão e empoderamento da mulher negra e periférica. Vencedor do Prêmio Mobilidade 2017 e do Frida Fund, como coletivo de maior impacto mundial, o La Frida Bike ensina mulheres de comunidades carentes a pedalar. Entre as soluções inovadores e criativas do coletivo, bicicletas mais leves e capacetes adaptados para pessoas com cabelo crespo, além de oficinas de formação cíclica e de mecânica, projetos de compartilhamento de bike com pessoas de baixa renda e de implementação de bicicletários em escolas da rede pública estadual. “É um projeto que une promoção da bicicleta com inclusão social, igualdade étnica e igualdade de gênero, e visa levar a mobilidade urbana para além da orla, até as periferias e comunidades quilombolas”, ressalta uma das idealizadoras do La Frida, Lívia Suarez.

Do asfalto para o mar, o projeto Remo Sem Fronteiras já atendeu mais de 500 jovens e crianças em situação de vulnerabilidade social e pessoas com alguma limitação física. Além de aulas gratuitas de Remo Olímpico Adaptado, Stand Up Padle e Canoa Havaiana, o projeto promove oficinas de reciclagem, de conserto e criação de novos materiais e equipamentos, oficinas de poesia, música, teatro e grafite, ações educativas e ambientais. “É um projeto esportivo e educacional, que visa a formação cidadã, com mais qualidade de vida e elevação da autoestima, e a inclusão social”, explica o coordenador, Sérgio Oliveira.

Na outra ponta da cidade, no Subúrbio Ferroviário, o que começou como um hobby tornou-se uma mídia de referência para quem deseja conhecer mais a região: o Belezas do Subúrbio que, hoje, tem 179 mil seguidores no Facebook e 48 mil no Instagram. Com esse alcance, promoveu um passeio ecológico com trilha no Parque São Bartolomeu, que reuniu 4 mil pessoas, endossando o potencial do meio digital como mobilizador para a ocupação do espaço público, com movimentos coletivos e em prol de ações de sustentabilidade.

Subindo para o Centro Histórico, a juventude periférica ganha voz – literalmente – com o projeto 3º Round - Circuito de Rima Improvisada que, após cinco anos de criação, já é considerada a maior atividade fomentadora do Hip Hop no Nordeste. “O 3º Round tem um caráter sociopolítico e racial, de  afirmação e formação musical, com o propósito de inclusão de artistas da periferia nos grande centros de artes e cultura do país, e um movimento de conscientizar os jovens para um ativismo político e de atuação em frentes que possam mobilizar a sociedade”, afirma André Costa (Coscarque), idealizador e produtor do Coletivo.

A programação completa do festival contará com feiras de artes, artesanato e economia criativa, atividades culinárias, oficinas de cinema, música e fotografia, exposições, grafite, apresentações teatrais e de dança, recitais de poesia, espaços de yoga e meditação, exibição de filmes, rodas de saberes e vivências, entre outras ações.

A Virada Sustentável Salvador 2018 é promovida pelo Instituto Virada Sustentável, com patrocínio da Braskem, via Lei de Incentivo à Cultura - Lei Rouanet, e a realização do Movimento Salvador Meu Amor. O Festival também conta com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ministério do Meio Ambiente e Prefeitura Municipal de Salvador; com o copatrocínio de Liberty Seguros e o apoio da Booking.

O Festival foi criado em 2011, em São Paulo. De lá pra cá, percorreu as cidades do Rio de Janeiro, Manaus e Porto Alegre, entre outras, além de Salvador, em 2016.

Virada Sustentável Salvador 2018
Quando: de 29 de novembro a 02 de dezembro
Locais: Parque da Cidade, Centro Cultural da Barroquinha, praças e museus do Centro Histórico de Salvador, Casa da Música, Lagoa do Abaeté, Parque das Dunas, Centro Cultural Edson Souto (Cajazeiras), Parque São Bartolomeu, entre outros.
Lançamento da programação: 12 de novembro (segunda-feira), das 10h às 12h30, no Centro Cultural da Barroquinha
Mais informações: viradasustentavel.org.br   
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