Salvador ganha programa de formação em artes performativas

por Juci Ribeiro

A partir de abril, Salvador contará com um espaço de formação e de compartilhamento de experiências em artes, onde a criação é entendida pela transversalidade entre as linguagens, especialmente, 
no trânsito entre dança, literatura, performance e teatro. Este é o TRANSBORDA - Programa de Formação em Artes Performativas,

 projeto concebido pela Gameleira Artes Integradas, coordenada pelas artistas-produtoras Raiça Bomfim e Olga Lamas, e desenvolvido em parceria com o artista e gestor Matias Santiago. 
A sede do Programa é o Espaço Cronópios, que fica localizado na Rua Direita do Santo Antônio, no bairro do Santo Antônio Além do Carmo, número 179. O TRANSBORDA funcionará em ciclos semestrais, contando com um conjunto de quatro módulos por semestre. Os módulos I e II iniciarão no dia 03 de abril e vão até 13 de maio; já os módulos III e IV começam no dia 15 de maio e finalizam o semestre no dia 21 de junho.
Como os módulos ocorrerão em pares, os encontros acontecerão em dias distintos – um sempre às terças e quintas, das 18h30 às 21h30, e outro sempre aos sábados, das 14h às 17h, e domingos, das 10h às 13h. No primeiro semestre, os módulos serão conduzidos pelos artistas-pesquisadores Matias Santiago (I), Raiça Bomfim (II), Karina Rabinovitz (III) e Alda Maria Abreu (IV).
Para os dois primeiros módulos (Raiça Bomfim e Matias Santiago), as inscrições começam no dia 12 de março e vão até o dia 31 de março. Já para quem deseja participar dos dois últimos módulos (Alda Maria Abreu e Karina Rabinovitz), as inscrições vão até 08 de maio.
Como cada módulo é autônomo, ainda que um dialogue com o outro e haja contaminações mútuas, os interessados podem escolher de quais e de quantos participarão, montando sua própria grade. A depender da quantidade de módulos escolhidos, existem pacotes de valores (confira tabelas com nomes dos módulos, horários, dias e preços abaixo).
Além dos módulos, o Transborda contará com três oficinas curtas a serem ministradas paralelamente aos módulos por Marcelo Souza Brito (9, 11 e 13 de Abril), Laís Machado (28 e 30 Maio, e 01 de junho) e Leonardo França (11, 13 e 15 de Junho).
Os coordenadores pedagógicos do programa, Matias Santiago, Olga Lamas e Raiça Bomfim, explicam que, o que conta para a inscrição nas atividades do programa não é o currículo dos interessados e seu nível de experiência em artes – “o que é muito bem-vindo, mas não é um fator indispensável” -, mas a intensidade dos interesses em experimentar modos de expressão, de vivência estética e de implicação na construção da realidade.
Apesar dos módulos serem autônomos, há um transbordamento e a contaminação entre eles.  “Cada módulo parte de uma proposição ligada às pesquisas de cada artista-ministrante e os módulos interagem entre si. Eles se contaminam a partir de confluências ético-estéticas e de um sentido comum – que nomeamos de ‘afluência’”, explica Matias Santiago.
Nesse primeiro semestre, o mote do Transborda é “VeiaVia”, que traz uma ideia de corpo extendido, singular e múltiplo. A performer e coordenadora do programa Olga Lamas explica que este mote é um modo de buscar relações entre os fluxos existentes nos tecidos do corpo e do ambiente.
Como o próprio nome sugere, TRANSBORDA são as fronteiras entre linguagens artísticas, entre casa e rua, entre vivência e aprendizado que se diluem e geram um fluxo contínuo de experiência. Raiça Bomfim pondera que esse é o grande diferencial do Programa, que foi “pensado como uma instancia de formação, baseada na abertura de espaço para a experiência”. 
“Na cidade, ainda tem essa preponderância de cursos específicos de dança, teatro, aulas livres, cursos técnicos, etc. Mas, não existe um espaço de formação continuada que abarque o trânsito entre isso, numa perspectiva assumidamente performativa”, realça.
Lamas complementa que este princípio vem da própria instância da performance. “Performance é um tipo de linguagem artística que não tem uma técnica pré-formatada. A performance é a não técnica a priori. Não tem um modus operandi de fazer performance. Pelo contrário, performance é quebrar com esses modos engessados de fazer. A performance é exatamente um transbordamento de campos”, explica.
De certo que, como não existe uma escola específica de discussão sobre performance, os profissionais vêm de uma outra área de formação, muitas vezes não artísticas, como a arquitetura, urbanismo, jornalismo. Ou vem de um lugar que era a dança, o teatro, era música, audiovisual, artes visuais e que acaba se “desviando” para a performance.
Muitas vezes, essa linguagem original ainda vai permanecer vigorando como articulação de alguns vocabulários e ferramentas específicas. Mas, o Transborda por ser esse espaço entre/de trânsito não se destina a ensinar uma técnica específica e sim a partilhar princípios que favoreçam a recriação de modos de fazer, de agir. Modos estes condizentes com o que cada um tem a expressar e a mover no mundo.
O programa abarcará exercícios filosóficos e sensíveis, envolvendo corpo, imagem e escrita, numa produção prática e teórica. Isso é outra coisa que falta em Salvador, um espaço destinado a pensar continuamente a performance, ao mesmo tempo em que oferece as condições para sua produção.
“A performance conecta uma série de conceitos que estão ali imbricados e que vão se rearranjando a cada ação, de modo que é preciso criar espaços de discussão e experimentação radicalmente disponíveis às quebras epistemológicas”, ressalta Santiago.
Desta forma, o Transborda será um espaço para quem não entende a performance e queira pensar a respeito e experimentar, além de ser também um local para os performers em atuação. “O programa será um espaço para trocar experiências, para que os participantes possam experimentar outros estágios de corpo e reflexão”, explica Lamas.


Serviço

O quê: Transborda  - Programa de Formação em Artes Performantivas
Inscrições e informaçõestransbordatransborda@gmail.com
Planos de Pagamento dos Módulos

Valor promocional [até 17/03]:
1 módulo – R$ 300,00
2 módulos – R$ 580,00
3 módulos – R$ 860,00
4 módulos – R$ 1.160,00

Valor de inscrição [a partir de 18/03]:
1 módulo – R$ 400,00
2 módulos – R$ 780,00
3 módulos – R$ 1.160,00
4 módulos – R$ 1.560,00

** Valor de cada OFICINA: R$ 200,00

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